domingo, 28 de abril de 2013

desanuviar


as nuvens
serão a fumaça
dos infinitos cigarros
que deus apaga
na sua eterna
solidão?

como se fazendo assim
pudesse preencher
os minutos intermináveis
multiplicados em
cinza melancolia

suponho
e imito deus nesse rito
de espera

na cozinha muda
faço nuvens
com o tempo
que me sobra

quadrinha só


essa noite
o meu olhar
se fundiu
com a lua

a minha vida
por muito tempo
confundiu-se
com a sua

mergulhador


a dor escurece
o mundo
a dor cava
o poço mais fundo
a dor oceano
onde cegamente
afundo

segunda-feira, 15 de abril de 2013

três



monólogo de dois
eu tudo agora
você nada depois



primavera de maio
ou você muda tudo
ou eu saio




se cada homem é uma ilha
eu só
exílio



entre a vida e a morte
um risco
qualquer poesia é sorte



toda a espiritualidade cabe num arma(zen)
amontoada no sótão
poeira e papéis



depois da janela - a vida
um jardim de lírios
delírio e lira



suicídio inevitável
todos os impulsos
serão cortados

existencialismo

cada alma
redondilha
uma ilha
sem cantos

lá esquina
a poesia
andarilha

e se esquiva.










quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

reminiscências I

reminiscências I

enquanto passa
oblíquo e indiferente
ao trânsito de planetas
e molha os sapatos
na água salgada

há uma sereia de sandálias
descalça na praia
às duas da manhã
(apagando estrelas 
entre os dedos)







quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

poeminha carioca

meu desejo de turista
uma oca bacana em copacabana
pra ficar all the time
espiando as ondas do mar

e de vez em nunca
quando urgente for
faço uma visita praquele
que do alto tudo consente

Senhor Cristo Redentor
tenha piedade das garotas ipanêmicas
criando sozinhas
suas crianças anêmicas

e não deixe esquecidos
os filhos de vinícius
nem falte o pão
de todos seus vícios

amém.